Nunca Como Você...

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Nunca Como Você...

Mensagem  DudaHaruka em Dom Jun 26, 2011 10:37 pm

Ele acordou naquela manhã cansado demais para tirar o pijama. Olhou pela janela, o dia estava nublado. Foi até a cozinha e pegou a caixinha de suco de laranja da geladeira, tomando no bico mesmo. Depois colocou o suco na mesa e preparou um pão com maionese e ketchup.
Comeu e quando terminou, deixou a louça na pia e jogou o suco no lixo. Bocejando foi até a sala e ligou a televisão. Deitou-se no sofá e ficou vendo desenho animado. Um hábito que tinha desde criança.
Quando estava quase dormindo, o telefone tocou e ele pulou com o susto.
- Alô – atendeu com a voz sonolenta.
- Onde você está? – uma voz grossa reclamou, enquanto ele suspirava.
- Dormindo! – respondeu desleixado, puxando o telefone no colo.
- Quantos anos você tem? – o homem do outro lado da linha pergunta enfurecido – Seis? Sete? Hein Xandi?
Com sua pose relaxada, Xandi ignora-o, ainda com a atenção voltada para a televisão.
- Vinte e cinco – fala ele.
- O quê? – pergunta o outro perplexo.
- Tenho vinte e cinco anos – ele fala – pode ser rápido? Hoje tem episódio novo de “As aventuras de Mickey e Donald” – Xandi comenta despreocupado.
- As aventuras… de… MICKEY E DONALD? – o homem explode – VENHA PARA CÁ IMEDIATAMETE! – Xandi afasta o telefone do ouvido e lego percebe que o mesmo fora desligado.
Xandi suspirou e foi até seu quarto. Abriu o roupeiro e pegou uma camiseta Polo Azul, uma bermuda bege e um tênis.
Olhou-se uma vez no espelho. Os cabelos castanhos arrepiados estavam mais bagunçados do que o normal, os olhos verdes estavam com o brilho preguiçoso de sempre e a roupa casual certamente irritaria seu pai. Sorriu e pegou a chave de seu carro acima do balcão.
Rodou-a no dedo indicador e caminhou até o carro, entrando em seguida.
Dirigiu até as grandes empresas Charcks. Entrou e passou direto até o último andar. Um burburinho foi ouvido, mas Xandi ignorou e continuou seu caminho.
Algumas pessoas nem acreditavam em seus olhos. O moreno jurara nunca mais pisar ali.
Xandi subiu até o último andar e correspondeu ao olhar abismado da secretária ruiva com um sorriso.
- O velho está me esperando – comentou já se dirigindo até a sala do dono das empresas.
A secretária apenas assentiu com a cabeça repetidas vezes, ainda espantada com a repentina visita.
Xandi entrou na sala e encarou o homem moreno, vestido com um terno e uma gravata, que era tão parecido consigo. Mas os olhos do homem a sua frente ele via apenas raiva, frustração, decepção e outros sentimentos que ele não conseguia identificar.
- Filho – o homem começou calmamente – esqueça essa besteira toda de Psicologia e venha trabalhar comigo – ele pediu educadamente. Nem parecia o homem estressado que gritava ao telefone minutos antes.
- Não – respondeu Xandi calmamente, sentando-se na cadeira de frente à mesa do homem.
Emmerson Charcks era dono das conhecidas empresas Charcks, um homem poderoso e temido. Todos o respeitavam e sempre faziam o que ele mandava. Menos Xandi. O mais novo nunca se interessara pelos negócios da família. Desde cedo Emmerson sempre trabalhou. Deixara de comparecer a reuniões de família para trabalhar.
Levava o trabalho para casa e se esforçava muito para chegar aonde chegou. Por que o filho não entendia o que ele passara e não se esforçava para ser tão brilhante quanto ele? Emmerson não conseguia entender o que se passava na cabeça do filho.
Com um suspiro frustrado ele falou:
- Filho, eu me empenho desde que sou jovem para essa empresa crescer, trabalho dia e noite para que isso não acabe. Mas estou ficando velho – ensaiou um suspiro cansado – você é quem vai me substituir e quero que esteja preparado. Você não pode acabar com meu sonho assim, justo eu que sou seu pai e cuidei de você quando criança! Quem sempre se preocupou com seu futuro? Eu! É assim que me retribui? Negando meu legado? – o homem fingi decepção.
Xandi suspirou e revirou os olhos. Já conhecia esse discurso de cor.
- Pai. Tente entender… eu não vou trabalhar pra você!
- COMO PENSA QUE VAI SE SUSTENTAR? – o homem grita, perdendo toda a sua compostura. Emmerson realmente não entendia o filho.
- Vou trabalhar. Serei professor, ou eu vejo alguns bicos por aí – deu de ombros.
- Mas… – o homem murmurou perplexo – isso não dá dinheiro.
- Mas é o que eu gosto de fazer – Xandi fala. Havia um brilho de determinação nunca visto nos olhos dele. Eu jurei a mim mesmo que jamais seria como você.
- És um preguiçoso – o pai acusou enraivecido.
- Apenas não vou me viciar no trabalho nem no dinheiro como você. Por incrível que pareça, existem coisas mais importantes do que isso. Pelo menos para mim.
Com medo de perder a paciência, Xandi saiu dali e ignorou todos. Sabia que os gritos do pai foram ouvidos por todo o prédio.
Olhou uma última vez para trás e viu o pai relendo relatórios e fazendo contas.
Entrou no elevador e jurou para si mesmo que jamais seria assim.
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